jornal plural do agrupamento de escolas dr. manuel laranjeira

Os Fados e as nossa rotas de vida

     Já na Grécia antiga se acreditava que o nosso percurso de vida era premeditado por algo superior a tudo, a que até os Deuses obedeciam, porém, ninguém sabe com todas as certezas se, efetivamente, temos um caminho traçado ou se criamos o nosso próprio caminho.

     Esta questão é, até hoje, objeto de vários debates, já que, consoante o ponto de vista, encontramos interpretações diferentes da vida e da nossa importância e/ou lugar nela. Tome-se, como exemplo, Ricardo Reis, poeta de inspiração clássica e, portanto, defensor do poder supremo dos Fados. Reis acreditava que toda a nossa vida está “escrita”, como um guião de um filme, demonstrado nos seus poemas pelas referências aos “Deuses”, aos “Fados” e a outras figuras da mitologia grega.

     Pessoalmente, não me identifico com essa crença, pelo menos, não inteiramente. Acredito que aquilo que fazemos e quem somos não são apenas notas de rodapé no guião do Destino, mas sim pequenos espaços em branco, à espera de serem preenchidos apenas por nós mesmos, escolhendo algumas das alternativas possíveis feitas, pelos Fados, à nossa medida. É uma espécie de junção entre os dois pontos de vista apresentados anteriormente: nem tudo é premeditado, mas há, sim, algum planeamento prévio do que vamos fazer no nosso limitadíssimo tempo de vida, cheia de pequenos detalhes insignificantes para o grande plano do Destino, mas que dão cor e significado à nossa estadia, assim como grandes detalhes que nos moldam enquanto moldamos o próprio molde. A título de exemplo, estão as nossas escolhas diárias, o nosso livre arbítrio de caminhar vários caminhos ou de não caminhar de todo. Além disso, não aprecio a ideia de que tudo o que fazemos não tem significado porque nos limitamos a seguir o roteiro que nos foi dado.

     Concluindo, creio que os Fados nos apresentam diversas rotas com diferentes partidas e chegadas, e que devemos desfrutar dos pequeninos detalhes que definem a nossa vida e nos fazem quem somos.

 

Foto Eduardo Lopes (2)
Eduardo Lopes, aluno do 12º C
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