São poucas as pessoas que falam da saudade, mas eu estou cheia dela.
A saudade não se vê, mas vive dentro de nós como um silêncio que nunca adormece. Não é apenas recordar quem ficou longe: é sentir o vazio da ausência todos os dias, em cada detalhe; é acordar com a memória de um abraço que já não recebemos; é desejar ouvir uma voz que não ecoa mais perto.
A distância não é só geográfica, é uma ferida discreta, um vazio que se instala. É duro amar e não poder tocar, querer estar e não poder ir. É doloroso saber que há pessoas que amamos, que envelhecem, que vivem momentos importantes e nós não estamos lá para partilhar.
Ainda mais difícil é quando alguém parte deste mundo sem que possamos despedir-nos. Fica a saudade do que vivemos, mas também a saudade do que nunca chegaremos a viver.
Sinto falta das coisas mais simples, como do cheiro da comida da minha avó, do assobio que ecoava pela casa, das vozes familiares, das conversas interrompidas pelo nosso riso, quando éramos crianças. Sinto falta dos lugares que conhecia de olhos fechados, das rotinas que hoje já não existem e até dos silêncios que guardavam a presença de quem me era próximo. São memórias que não se apagam, mas que pesam, porque não se podem repetir.
A saudade é amor que não cabe no presente. É a lembrança teimosa de tudo o que continua vivo dentro de nós. E talvez ninguém fale dela, porque dói demais, porque é mais fácil sorrir e mostrar apenas as conquistas. Mas a verdade é que a saudade existe, cresce e nunca nos abandona.
Por isso, temos de aprender a sorrir com o coração apertado e amar em dois lugares ao mesmo tempo.