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“O Devir Geológico” – Apreciação crítica

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Salvador Dalí (1904-1989), O Devir Geológico, 1933. Óleo sobre madeira, 21×16 cm, Coleção Particular.

     A pintura “O Devir Geológico”, da autoria de Salvador Dalí, foi criada no ano de 1933 e representa uma jornada e uma aventura promissoras, que sofrerão consequências e acabarão na morte.

     Com efeito, nesta ilustração, é possível observar, na parte superior, o horizonte, que contém um céu esverdeado e um relevo diversificado. Do lado direito da imagem, ainda em cima, observam-se duas grandes rochas fraturadas que, tal como o relevo, apresentam uma coloração leve e diversificada, entre o amarelo, o rosa claro e até mesmo um verde claro, como o céu. Ainda nesse lado da imagem, observa-se, ao fundo, um esqueleto de um ser humano. Já no centro da imagem, é visível um cavalo encarando a parte inferior. Em cima dele, encontram-se dois crânios de cor amarelada e, ainda mais abaixo da pintura, é visível “outro crânio” olhando para o cavalo. Aí, o chão é preto e, entre esta parte e o horizonte, em cima, temos um solo cinzento e um pouco branco, tal como o cavalo. A partir desta descrição, podemos extrair alguns aspetos relevantes desta imagem de conotação subjetiva. Temos, claramente, uma degradação do espaço, desde o horizonte até ao solo cinzento e acabando no tom completamente preto. Como o cavalo está virado para esta zona mais negra, dá a entender que este se encontra numa aventura que começou num espaço onde havia uma esperança viva e em que tudo parecia desejável. No entanto, com a perda de cor dos espaços, podemos concluir que a jornada se foi complicando ao longo do tempo. Sendo assim, as caveiras e o final da viagem, representado pelo escuro, são aspetos metafóricos da morte, que sucedeu de uma aventura em que tudo começara bem.

     Observando detalhadamente e analisando bem esta pintura, podemos relacioná-la com a poesia de Antero de Quental. Na imagem podemos reter que tudo começou com um ideal esperançoso. Todavia, com o decorrer da aventura, tudo acabará em desgosto e morte. Do mesmo modo, na poesia de Antero de Quental, tudo começa com a configuração do ideal, mas o poeta acaba por entrar na angústia existencial. Podemos ver isto e relacionar claramente com esta pintura no poema “Palácio da Ventura”, no qual o “cavaleiro andante”, depois de tanto procurar um palácio glorioso, acaba por encontrar o escuro e a solidão.

     Em suma, esta pintura tem um significado bastante subjetivo, representando uma jornada esperançosa que acaba no desgosto e na morte, podendo, por isso, servir de ilustração de alguns poemas de Antero de Quental.

Filipe Brandão, aluno do 12º A

 

 

     A pintura “O Devir Geológico”, da autoria de Salvador Dalí, criada em 1933, retrata a procura incessante por algo, que resulta na desilusão.

     Nesta representação, é possível observar, em primeiro plano, um cavalo, cujo dorso parece acomodar duas caveiras. Observa-se também uma figura semelhante, em cor e forma, às caveiras presentes no cavalo, que se encontra no chão e que olha diretamente para o animal. Porém, atrás de si, existe um abismo de escuridão em contraste com o resto do ambiente da imagem que, mesmo sendo monótono, pela ausência de elementos e a presença de cores saturadas, apresenta alguma cor. Por último, no fundo, vê-se outra figura que parece dirigir-se ao cavalo. Esta pintura está repleta de metáforas e simbologias. Primeiramente, a presença das caveiras em cima do cavalo alude ao animal como meio de transporte (o que também se evidencia pela sela nele colocada), sendo estes dois crânios uma imagem dos indivíduos que partem numa jornada duradoura, dada a extensão do ambiente que nos é apresentado, em busca de um ideal. Por outro lado, a “caveira” que se encontra próxima da escuridão, na parte inferior da pintura, simboliza aqueles que se depararam com a inexistência daquilo a que aspiravam, marcada pela grande sombra, e, por isso, ao se virar de costas para esse abismo, desesperam e dececionam-se com o que encontram, dado que esperavam, enquanto ainda estavam no lado colorido da imagem, que representa o onírico, um refúgio da realidade. Por último, a presença da outra figura, no fundo da imagem, remete para a pluralidade de indivíduos que percorrem esta jornada e que, inevitavelmente, se deparam com a “escuridão”, refugiando-se no sonho, ou até na morte, simbolizada pela própria representação dos indivíduos como caveiras.

     Neste sentido, é possível relacionar esta pintura com a poesia de Antero de Quental, pois esta busca incessante por algo está muito presente na obra do poeta, já que este aspira encontrar os Ideais que cria, como a Razão, o Amor, a Beleza. Porém, tal como na imagem, Antero constata no real a inexistência destes Ideais, o que gera o desalento e a depressão no poeta, levando-o ao refúgio no sono, no sonho ou até na morte.

     Em suma, esta pintura de Salvador Dalí pode ser associada a uma representação simbólica da causa da angústia existencial na poesia de Antero de Quental: a deambulação de um “cavaleiro andante” na contínua procura do sublime, mas que o leva ao choque e à desilusão perante a realidade, conduzindo o “caminhante” ao refúgio no sono ou até na morte, pois o que encontra não é mais do que “silêncio e escuridão”.

Vasco Alves, nº 16, 12º A
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