“O Devir Geológico” – Apreciação crítica
A pintura “O Devir Geológico”, da autoria de Salvador Dalí, foi criada no ano de 1933 e representa uma jornada e uma aventura promissoras, que sofrerão consequências e acabarão na morte.
Com efeito, nesta ilustração, é possível observar, na parte superior, o horizonte, que contém um céu esverdeado e um relevo diversificado. Do lado direito da imagem, ainda em cima, observam-se duas grandes rochas fraturadas que, tal como o relevo, apresentam uma coloração leve e diversificada, entre o amarelo, o rosa claro e até mesmo um verde claro, como o céu. Ainda nesse lado da imagem, observa-se, ao fundo, um esqueleto de um ser humano. Já no centro da imagem, é visível um cavalo encarando a parte inferior. Em cima dele, encontram-se dois crânios de cor amarelada e, ainda mais abaixo da pintura, é visível “outro crânio” olhando para o cavalo. Aí, o chão é preto e, entre esta parte e o horizonte, em cima, temos um solo cinzento e um pouco branco, tal como o cavalo. A partir desta descrição, podemos extrair alguns aspetos relevantes desta imagem de conotação subjetiva. Temos, claramente, uma degradação do espaço, desde o horizonte até ao solo cinzento e acabando no tom completamente preto. Como o cavalo está virado para esta zona mais negra, dá a entender que este se encontra numa aventura que começou num espaço onde havia uma esperança viva e em que tudo parecia desejável. No entanto, com a perda de cor dos espaços, podemos concluir que a jornada se foi complicando ao longo do tempo. Sendo assim, as caveiras e o final da viagem, representado pelo escuro, são aspetos metafóricos da morte, que sucedeu de uma aventura em que tudo começara bem.
Observando detalhadamente e analisando bem esta pintura, podemos relacioná-la com a poesia de Antero de Quental. Na imagem podemos reter que tudo começou com um ideal esperançoso. Todavia, com o decorrer da aventura, tudo acabará em desgosto e morte. Do mesmo modo, na poesia de Antero de Quental, tudo começa com a configuração do ideal, mas o poeta acaba por entrar na angústia existencial. Podemos ver isto e relacionar claramente com esta pintura no poema “Palácio da Ventura”, no qual o “cavaleiro andante”, depois de tanto procurar um palácio glorioso, acaba por encontrar o escuro e a solidão.
Em suma, esta pintura tem um significado bastante subjetivo, representando uma jornada esperançosa que acaba no desgosto e na morte, podendo, por isso, servir de ilustração de alguns poemas de Antero de Quental.
Filipe Brandão, aluno do 12º A


