O consumismo
Nunca fui muito de acreditar na expressão “o dinheiro não traz felicidade”, pois todos sabemos que isso é uma grande mentira. Na verdade, sempre que temos oportunidade de comprar algo que desejamos, a felicidade que nos preenche é quase instantânea. Contudo, também não entendo a necessidade humana de ter tudo do bom e do melhor apenas para ostentar.
Efetivamente, para mim, realizar uma compra é especial, mas tem de ser pensada, desejada e feita de forma coerente. Afinal, não vou gastar o meu dinheiro numa futilidade. Por isso, sou, muitas vezes, apelidada de “forreta” e “simples”, no entanto, acredito que, quanto menos gastos faço, a compra de qualquer coisa que desejo muito de verdade tem muito mais significado e dá-me um certo sentido de conquista.
A verdade é que sempre me lembro de criticar aqueles que enchem armários e prateleiras de coisas quase iguais, resultado de aquisições impulsivas e, na grande maioria das vezes, desnecessárias. São objetos que acabam por ser usados uma a duas vezes, antes de serem mais um produto esquecido no meio de tanta “tralha”.
É um facto que adoro gastar dinheiro em experiências novas, em produtos de beleza e, principalmente, em roupa. Porém, apesar de ter um estilo já bem definido, evito ter várias peças semelhantes dentro do guarda-roupa. Cada vez mais, com a evolução da tecnologia, vemos aplicações que incentivam a revenda de peças a que não damos mais uso, por isso, não vejo necessidade de acumular tanto em casa ou até mesmo de gastar “rios de dinheiro” em produtos novos quando vemos quase o mesmo nessas apps por valores bem mais acessíveis. Ao mesmo tempo, aprendemos a ser sustentáveis.
No entanto, verifico que, cada vez mais, as pessoas se rendem ao consumismo e ao status social, acabando a gastar em marcas em vez de produtos de qualidade e este problema da sociedade deixa-me realmente frustrada. Quando é que passamos a permitir que nomes como “Apple”, “Zara”, “Nike”, entre outros, se tornem no preço justo e não na marca do produto em si? Devido ao consumismo de modas, estas marcas sentem-se no direito de aumentar exponencialmente os preços, enquanto a qualidade baixa cada vez mais.
Desde pequena que ouço a minha mãe a incentivar-me a comprar marcas portuguesas, mas eu não a entendia, pois, para mim, o bom era o que vinha de fora e era isso que eu queria. No entanto, hoje, vejo que quanto mais produtos nacionais consumirmos melhor fica a economia, incentiva-se o trabalho nacional e ainda podemos usufruir de preços mais baixos.
Concluo que ninguém necessita de consumir tanto e que toda a ostentação de bens materiais só traz malefícios à sociedade.
