jornal plural do agrupamento de escolas dr. manuel laranjeira

Bodas de ouro para um edifício (e não só)

50 anos celebrados numa noite espetacular, com memórias revistas em escassos minutos

     No dia 5 de junho, pelas 21 horas, no Multimeios de Espinho, foi tempo de encerrar as comemorações de uma efeméride, que culminou em espetáculo-concerto e contou com a participação da comunidade educativa do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), nomeadamente professores, alunos, pessoal não docente (operacional e técnico-administrativo), encarregados de educação, mais as entidades parceiras que viveram os “50 anos: do Liceu ao Agrupamento” – tema aglutinador de todo um plano de atividades vivenciado desde o ano letivo 2024-2025.

       As bodas de ouro dizem respeito a um edifício construído no início da década de setenta do século passado, para nele ser alocado o Liceu Nacional de Espinho. Entrou aquele em funcionamento no dia 4 de novembro de 1975, conforme ofício redigido pela presidente do conselho diretivo provisório de então: a professora Maria do Céu Beato Oliveira Dias de Sousa. Em tempos marcados ainda pelo espírito revolucionário pós-25 de abril, tudo começou de acordo com decisão unânime assumida em reunião geral de professores. Assim se lê no documento exarado: “… encontrada uma plataforma de solução… em relação a uma decisão tomada por unanimidade numa anterior reunião sindical, segundo a qual as aulas não seriam iniciadas sem que todos os professores eventuais estivessem colocados…”. Nas palavras citadas de quem viveu o momento, a construção foi como que tomada de assalto, para que se cumprisse o desígnio para que havia sido erguida.

        O programa do evento celebrativo iniciou-se com a projeção de um pequeno vídeo, a dar conta do percurso desse estabelecimento escolar que, aberto em novembro de 1975, em 1976-77, passa a ter um patrono e a designação de “Liceu do Dr. Manuel Laranjeira”. Em 1978, chegou a “Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira”. Em 2011, o edifício foi objeto de reabilitação por parte da Parque Escolar (hoje, Construção Pública), segundo um projeto arquitetado por Rui Lacerda. Cumprido meio século de um estabelecimento escolar (que, na atual e requalificada escola-sede de agrupamento, apresenta apenas alguns poucos apontamentos dispersos do passado), mantém-se a missão, ainda com futuro.

     Na presença da Diretora do AEML, do Presidente do Conselho Geral e do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Espinho, houve oportunidade para me pronunciar acerca do vídeo produzido e de como este pode ser injusto face a uma multiplicidade de projetos, de atividades, de rostos que têm vindo a marcar gerações e que nele não figuram. Não cabem 50 anos em menos de dez minutos e, nessa medida, impõe-se a compreensão e a generosidade de muitos para se poderem rever naquilo que foi editado e para encontrarem no que fizeram / fazem interseções, comunhões (re)visitadas no que foi incluído (há impossibilidades óbvias no conceito de memória: desde a perda, ao esbatimento e à recuperação recriada). Importa ainda agradecer a todos os que, saindo, entrando ou permanecendo no agrupamento, deram ou têm vindo a dar o seu melhor a uma instituição que tem servido bem o concelho, para não dizer o país (considerando alguns dos nomes que saíram formados do “liceu”, como ainda é familiar e popularmente nomeado).

       Fica aqui o registo vídeo desses menos de dez minutos para uma história que já segue caminho no sentido do século – porque, do meio já vivido, há já provas consolidadas quanto ao papel desempenhado na sociedade, enquanto exemplo de escola pública focada na qualidade educativa, na inclusão, na multi e interculturalidade, bem como no acompanhamento socialmente empenhado e implicado na ativação de competências (conhecimentos, procedimentos, atitudes e valores) formativas diversificadas.

         Comemorados e encerrados os 50 anos, rode-se a ampulheta e reveja-se a areia a cair, em nova contagem de tempo com atenção à vida e, como o diz o patrono, abrangendo no “mesmo olhar o céu e a terra”. Acrescentaria o mar, pela força que detém e pelo horizonte que nos dá, nos caminhos e nas oportunidades a descobrir, a explorar e a conquistar.

 

Vítor Oliveira, professor de português
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