jornal plural do agrupamento de escolas dr. manuel laranjeira

Cartoon de Taravat Niki

Por alunos do 11º A

cartoon

 

     Este cartoon, da autoria de Tavarat Niki, datado de 2022, representa a exploração humana e as condições a que os homens explorados estão sujeitos.

     Por um lado, na parte superior desta imagem, é possível observar o tronco de uma pessoa, com um casaco azul e camisa branca. Esta encontra-se sentada, pronta para comer, como indicam os talheres nas suas mãos. Em cima da mesa, também está presente um prato, cuja comida consiste em peças de um puzzle. Por outro lado, estão representadas, na parte inferior da imagem, por baixo da mesa, várias pessoas, com expressões faciais desanimadas, com roupas repletas de remendos e algumas carregando cestas ou malas. Para além disso, também se pode verificar que todas têm espaços vazios no seu corpo, com o formato de peças de puzzle. Efetivamente, esta imagem é bastante sugestiva. A pessoa, na parte superior da imagem, representa os mais poderosos que se aproveitam dos mais frágeis, visto que o seu prato está cheio de peças prontas a serem comidas. A postura do homem indica que está esfomeado e que vai comer essas peças vigorosamente. Porém, estas pertencem às pessoas representadas na parte de baixo, que representam a pobreza, devido às condições das suas roupas. Assim, conclui-se que o homem é uma pessoa poderosa que se “alimenta” dos mais fracos.

     Deste modo, podemos relacionar o conteúdo do cartoon com o capítulo IV do Sermão de Santo António, relativo às repreensões em geral aos peixes. Neste capítulo, Vieira critica os peixes que “se comem uns aos outros”, representando, alegoricamente, os homens, dando até o exemplo do homem que acabou de morrer e do homem em julgamento, explorados diariamente, tal como as pessoas na imagem apresentada.

     Em suma, tanto Padre António Vieira como Tavarat Niki têm como objetivo denunciar o problema da exploração humana, com esperança de que, eventualmente, este vício desapareça.

Bernardo Proença, aluno do 11º A

 

 

     O cartoon apresentado é da autoria de Tavarat Niki e foi publicado, no Reino Unido, em 2022. Nele vemos dois planos: o plano superior com um homem a comer e um plano inferior com uma série de pessoas.

     Analisando cuidadosamente o cartoon, apercebemo-nos de que o homem, em primeiro plano, assume uma posição de confiança e poder. Inferimos isto porque este tem os braços bem abertos segurando talheres, que estão apontados para cima, entre os punhos bem fechados, alimentando-se de uma tarte feita de peças de puzzle. Em contraste, as pessoas, em segundo plano, apresentam uma postura curvada, rebaixada, caras deprimidas e roupas remendadas. Constatamos também que estas pessoas apresentam espaços vazios nos seus corpos na forma de peças de um puzzle. Adicionalmente, verificamos um choque entre a riqueza da cor no primeiro plano e a sua carência no plano inferior.

     Deste modo, esta obra consiste numa denúncia da pobreza e da sua exploração. Quem muito tem alimenta-se fartamente com uma postura de força. Alimenta-se tanto, que rouba a quem não tem quase nada. Os poderosos comem o pouco que resta aos mais pobres, roubando-lhes partes das suas vidas. Assim, quem nada tem fica mais pobre e nada pode fazer: acaba explorado e vê os seus direitos violados. Neste sentido, encontra-se presente o conteúdo do Sermão de Santo António neste cartoon: similarmente à exploração dos pobres pelos ricos, alimentando-se os segundos dos primeiros, os peixes também se comiam, literalmente, alimentando-se os peixes maiores dos peixes menores, enquanto alegoria do que faziam os homens.

     Em suma, destaca-se uma apreciação positiva do trabalho do autor desta obra, que conseguiu denunciar de forma eficaz a exploração social presente na nossa sociedade, tema tão atual agora como há já 400 anos e que deve ser alvo de reflexão por parte de todos.

João Neves, aluno do 11º A

 

 

     A imagem consiste num cartoon de Taravat Niki, publicado no Reino Unido, no ano de 2022, que denuncia claramente a antropofagia social, ou, por outras palavras, a exploração entre os homens.

     Na verdade, são visíveis dois cenários separados pelo tampo de uma mesa: no superior, está um homem de fato com um prato que contém peças de um puzzle à sua frente, estando preparado para a refeição, o que é percetível pela maneira como segura os talheres; no inferior, encontram-se várias pessoas, as quais carecem de partes do seu corpo, que, coincidentemente, têm a forma das peças de puzzle. Por um lado, o facto de o homem estar vestido com um fato cria uma ideia visual da sua superioridade perante os demais, cujas roupas estão remendadas, em alguns casos, o que sugere uma distinção entre a grandeza do primeiro e a pequenez dos segundos. Por outro lado, na parte inferior do cartoon, encontram-se humanos, uns altos, outros mais baixos, uns adultos e outros crianças, porém, todos cabisbaixos, curvados e abatidos. Assim, este é um aspeto que denuncia a exploração humana que aqueles que têm poder fazem sobre aqueles que não o têm, retirando-lhes aquilo que eles já têm em tão pouca quantidade. Além disso, tendo em conta o conteúdo do prato e as peças do puzzle em falta nos corpos de cada um dos indivíduos, pode-se concluir que se trata da exploração dos mais fracos pelos mais fortes.

     Tal situação de antropofagia social é alvo de crítica no Sermão de Santo António, de Padre António Vieira, no qual ele afirma que “os grandes comem os pequenos” como grande foco de repreensão. No cartoon, também a antropofagia social é representada no da mesma forma metafórica que Vieira utilizou, dado que o forte também comerá partes dos fracos e não chegam cem fracos, nem mil, para saciar um grande.

     Em suma, o cartoon denuncia a exploração humana, assunto já denunciado por Padre António Vieira e que se prolonga até aos dias de hoje, representado no cartoon pelo prato com peças de puzzle, que são partes dos mais fracos, pela variedade de humanos, que corresponde à diversidade daqueles que são explorados, e que exemplificam a forma como os grandes e poderosos se aproveitam dos mais débeis e frágeis.

 Rita Sá, aluna do 11ºA
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