Um Encontro de Gentes
Há na escola uma coreografia invisível, feita de passos que chegam e passos que partem. É um lugar de travessia, onde os ciclos se renovam como as estações. Pessoas saem, deixando nas paredes o eco da sua voz e nos corredores a sombra da sua entrega. Pessoas ficam, tornando-se guardiãs de memórias e alicerces de continuidade. E há as que chegam, com o olhar ainda por estrear, prontas para escreverem a sua própria história.
Nesta dança de mudanças e transições, muitas vezes o ruído da burocracia e o peso da legislação tentam silenciar o essencial. Mas o essencial é teimoso e não se deixa verter em decretos. O essencial habita no afeto — essa única constante que sobrevive ao tempo e às ausências.
Como nos ensinou Pestalozzi, “o amor é o sol da educação”. E tal como o sol, o afeto não precisa de permissão para aquecer. Ele acontece no intervalo de um suspiro, na delicadeza de um “bom dia” ou na coragem de quem decide olhar para o outro antes de olhar para o papel, porque, como bem diz António da Nóvoa, “o professor é a pessoa”, e é nessa humanidade despida de cargos que reside a nossa verdadeira autoridade.

