jornal plural do agrupamento de escolas dr. manuel laranjeira

A IMPORTÂNCIA DOS AFETOS E DAS ROTINAS NO AUTISMO

     A perturbação do espectro do autismo (PEA) é um transtorno que se caracteriza por causar prejuízos no desenvolvimento global da criança, afetando, principalmente, a comunicação verbal e não-verbal, assim como a interação social. As rotinas são cruciais para pessoas com perturbação do espetro do autismo, porque oferecem segurança e previsibilidade, o que ajuda a reduzir os níveis de ansiedade e stress. Elas proporcionam uma estrutura que promove maior autonomia, desenvolvimento de habilidades, estabilidade emocional e comportamental, diminuindo, desta forma, comportamentos desadequados.

     Assim, é importante estabelecer horários compatíveis das atividades pedagógicas e com as da vida diária, nomeadamente refeições, higiene, sono e tempos de lazer. Isto proporciona à criança uma sensação de previsibilidade, criando um ambiente seguro e confortável, promovendo o desenvolvimento das habilidades de autorregulação e autogestão.

     Importa salientar que a rotina deve ser adaptada às necessidades individuais de cada criança/aluno, tendo em consideração os seus interesses, preferências, e competências. Para além disso, é importante equilibrar a previsibilidade com a flexibilidade, permitindo pequenas mudanças quando necessário, mas garantindo que a estrutura geral da rotina permaneça consistente.

     Os afetos são cruciais para o desenvolvimento de pessoas com autismo porque ajudam na regulação emocional, melhoram a comunicação e a interação social e fortalecem a autoestima e a segurança.

     Além disso, a afetividade funciona como mediadora no processo de aprendizagem. Por essa razão, quando há afeto, há ampliação do interesse, que gera a motivação e a necessidade de aprender. Dessa forma, a afetividade pode ser usada como instrumento no desenvolvimento cognitivo da pessoa com autismo.

     Embora a sua forma de expressar o afeto possa ser diferente e desafiadora, o suporte afetivo, a criação de vínculos e o desenvolvimento da capacidade de entender as próprias emoções são fundamentais para reduzir frustrações, melhorar a aprendizagem e promover uma vida mais saudável e feliz.

     Assim, a relação afetiva com cuidadores é vital para o desenvolvimento da comunicação e da interação social. Isso inclui aprender a reconhecer expressões faciais e a conectar-se com os outros, mesmo que de forma atípica.

     Uma pessoa com autismo pode não expressar afeto de maneira recíproca, mas isso não significa que não tenha sentimentos, preferências, interesses ou a capacidade de estabelecer vínculos.

Estimular o afeto através de interações significativas ajuda a entender melhor a criança, descobrindo os seus interesses, sonhos e dificuldades, o que permite desenvolver a sua sociabilidade e comunicação de forma mais eficaz.

 

José Miguel Morais, professor de educação especial
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