Atualidade do Sermão
No âmbito do estudo do Sermão de Santo António ( aos Peixes), do padre António Vieira, e respondendo ao apelo da educadora social do agrupamento, Constantina Rosa, os alunos do 11º B, 11º E e 11º I visualizaram o vídeo Acontece todos os dias, do jornal Observador, no sítio https://www.youtube.om/results?searchquery=acontece+todos +os+dias+jornal+observador+online. Depois, seguiu-se um pequeno debate sobre inclusão e acolhimento, registando-se no quadro as ideias principais.
Partindo-se desses registos, os alunos da turma B (Ciências e Tecnologias) realizaram um poema coletivo, os alunos da E (Artes) fizeram, individualmente, pequenos desenhos, e os da turma I (Humanidades) redigiram um texto de opinião, também coletivo, trabalhos que aqui apresentamos.
Um problema antigo tão atual
A discriminação em Portugal é um problema antigo e podemos confirmá-lo no Sermão de Santo António (aos peixes) do Padre António Vieira, proferido no século XVII, tal como hoje.
Efetivamente, os preconceitos em relação aos estrangeiros e às pessoas que nos parecem diferentes são uma realidade do nosso quotidiano, pelo que é possível encontrar hoje antropofagia social, em Portugal, tal como acontecia no Brasil no tempo de Vieira. Por exemplo, quando encontramos estrangeiros a viverem em condições tão precárias e trabalhando na agricultura ou na construção civil com vencimentos baixos, podemos dizer, bem como o pregador do século XVII, que os grandes comem os pequenos como se fossem pão.
Para além disso, nos dias de hoje, a manipulação é mais fácil, tendo em conta as redes sociais, a inteligência artificial e a divulgação fácil de notícias falsas. A ganância e a cobiça continuam, assim como no Brasil de então, a levar o ser humano a deixar-se enredar por preconceitos.
Deste modo, podemos observar, no presente, uma série de estereótipos, de atitudes xenófobas e racistas, que provocam um tratamento desigual e aumentam a falta de empatia. Por vezes, verificamos até que a sociedade tende a normalizar algumas “brincadeiras”, como “Tu és uma preta com alma de branca”, e que magoam quem as ouve.
Em suma, este problema é sistémico desde há séculos. Para inverter esta situação, temos de partilhar os nossos valores com os que chegam e tentar compreender os deles.
11º I, na aula de Português
Os incompreendidos são os mais ofendidos
Se nos sentíssemos todos iguais,
seríamos mais felizes!
Às vezes, os “estranhos” são apenas incompreendidos.
Preconceito é julgar sem conhecer.
Preconceito destrói um bem feito.
O nacionalismo deveria trazer coisas boas,
e não a vergonha e o desgosto nas pessoas.
Todos os dias a injustiça anda a par com a insegurança.
Se a injustiça prevalece, a tristeza prevalecerá.
Inquieta-nos tal incompreensão,
assim como a falta de compaixão.
Respeitar todos é o primeiro passo,
não o fazer é o verdadeiro embaraço.
Trazer o racismo e a xenofobia é
insensibilidade e falta de empatia.
Racismo é julgar pela cor, não pelo ser,
discriminação é impedir alguém de viver.
O pior da discriminação
é que nos parte o coração.
Acontece todos os dias,
uma frase comum na via popular:
“Quem vai ao ar perde o lugar”
Se for branco…
doutra cor, nem vale a pena tentar.
“Quem não arrisca não petisca”,
mas quem segue as regras à risca
recebe o mesmo tratamento racista.
Racismo e Xenofobia não são brincadeira,
um sentimento de vergonha e de tristeza.
Tamanha falta de empatia
por todos aqueles que são incompreendidos
mas quase ninguém sabe,
o quanto pode magoar!










