3/4 de Sensações
Sempre tive medo de não poder olhar-te, de não poder sentir-te para sempre, de fugires
de mim como quem foge da chuva procurando um abrigo.
Sempre sofri por antecedência.
Recuso-me a ficar abandonada, solitária e indefesa ao que me rodeia.
Recuso-me a não poder ouvir os teus passos leves e serenos.
Recuso-me a não sentir a fusão do nosso caloroso abraço.
Recuso-me a não poder degustar o sabor peculiar do teu beijo.
Tudo porque simplesmente… preciso de ti.
Preciso de ti como as plantas precisam de água, preciso de ti como nós carecemos da gravidade, como a Lua precisa do Sol…
O único que não pude recusar foi não te poder olhar. Deslumbrar a minha vista contigo
e observar o teu sorriso foi algo passageiro, sem infinito.
Porém, agora que não te vejo, vejo tudo. Cogitei a hipótese que me escaparias de
mansinho pelos dedos, que não zelarias pela minha saúde.
Mas não… Continuas a guardar-me como se fosse uma peça de porcelana.
Já não tenho receio do escuro. Simplesmente porque mesmo não te vendo… eu vejo-te.
